segunda-feira, 18 de julho de 2011

Arte na sucata: perfil de um artesão paraisopolense

Aos 40 anos de idade, Dimas Candido Ferreira ou apenas Dimas Tatoo, coleciona dons e divide seu tempo como tatuador, pintor, escultor e por aí vai. O mundo das artes o encanta desde criança, antes mesmo de ingressar na escola já desenhava histórias em quadrinhos sem nenhuma dificuldade. Aos 14 anos perdeu seu pai que era tapeceiro em São Bento do Sapucaí. Movido pela paixão e pela necessidade, o garoto fez de seu hobby também seu meio de sustento. Terminou os serviços deixados pelo pai “eu só sabia costurar em linha reta, o resto aprendi na marra”, conta. Com sua força de vontade pagava as contas da família enquanto sua mãe cuidava de suas irmãs menores.



Hoje em dia se diz maduro e denomina sua arte como ‘arte de sucata’, contra o consumismo desenfreado. Criar imagens bonitas com ferro e sucata é apenas uma forma de chamar a atenção “sempre que posso crio peças utilitárias para mostrar que é possível mudar, transformar tudo a nossa volta”.



Em sua oficina, de um lado uma maquina de solda, maquinas de costura, ferramentas de alvenaria, do outro furadeiras, esmerilhadeira e compressores. Tudo devidamente posicionado para dar asas a sua imaginação. É nesse ambiente que correntes de moto e coroas ganham vida e utilidade “pois as engrenagens que movem o mundo podem facilmente girar a nosso favor".



Inspirado no conterrâneo Amílcar de Castro, Dimas segue seus instintos, na vida e na arte "busque sua fonte, seja original". Assim dizia o mestre da arte.



Dificuldades existem sempre, “é necessário jogo de cintura, sempre tento fazer aquilo que eu gosto, ou gostar do que faço”, e assim o artista sobrevive entre uma venda e outra.



A falta de apoio é o que mais o incomoda “não podemos viver no futuro, o presente é o único momento que podemos fazer a diferença”. Para ele a desvalorização da arte em nossa região é fruto da falta de turismo, planejamento e estrutura social. Criar um departamento que auxilie os artistas a elaborar seus projetos independentes e viabilizar a captação de recursos para a criação de cooperativas de artesãos, para ele é única maneira de mudar o conceito de arte implantado no município.



O artista plástico, desenvolve trabalhos como tatuador, pinta letreiros, placas, muros, faz esculturas de cimento, personalização de motos e capacetes, tanques, capôs de carro, trabalhos com ferro e sucata. Arruma tempo para seu projeto de reciclagem e ministra oficina de arte nas escolas.



Buscou alavancar seu sustento fora da cidade por várias vezes, mas retornou para sua cidade natal “minha a terra amada”. E mesmo em meio a tantas dificuldades, se ele pudesse fazer um apelo, apenas diria: “vá hoje mesmo e compre um trabalho do artista mais próximo”.



“A revolução verdadeiramente revolucionária realizar-se-á não no mundo exterior, mas na alma e na carne dos seres humanos”.



A frase do escritor inglês, Aldous Huxley está no prefácio do livro Admirável Mundo Novo e é com ela que se encerra uma breve história de mais uma artista de Paraisópolis.

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